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sábado, 1 de janeiro de 2011

O PREÇO DO DISCIPULADO

Em Lucas 9.57,58  encontramos um pretendente ao discipulado. Ele afirmou que estava disposto a seguir a Jesus por onde quer que o mestre fosse.

Teria mesmo, ele, essa pretenção? Conhecia todas as implicações e no que consistia ser seguidor de Jesus? Conhecia o Mestre dos Mestres e a sua missão, ou foi levado por um arroubo de emocionalidade que lhe roubou a razão e o fez dizer palavras de tão profundo significado sem o perceber?

Seguir a Cristo é o mais fascinante e desafiante projeto de vida. Em dias nos quais não nos faltam aqueles que se oferecem como ícones, como protótipos, como modelos a serem seguidos, encontramos Jesus que é incomparavelmente superior. Entretanto quem desejar ser discípulo de Cristo deve estar cônscio, ciente, de que isso implica em tarefa nada simples.

Ser cristão e, portanto, discípulo de Cristo não é: (1) apenas admirar Cristo, ou (2) necessariamente, ser membro de uma Igreja Cristã.

Ser um Cristão é ser um seguidor, um discípulo, um imitador de Cristo. E isto custa alto preço.

• Iludem-se aqueles que imaginam que ser cristão se resume em apenas atender o apelo feito pelo pregador, ir à frente e receber uma oração.

• Iludem-se aqueles que imaginam que para ser cristão, basta ler os evangelhos, decorar versículos bíblicos, matricular-se em uma Escola Bíblica Dominical, freqüentar os Cultos Vespertinos aos Domingos ou mesmo envolver-se com uma sociedade ou departamento interno de uma Igreja evangélica. Tudo isso faz parte da vida de um cristão, mas não é porque alguém segue esse cronograma que ele se torna um cristão.

A proposta do pretendente a discípulo, do texto de Lucas 9.56,57,  era plausível. Um discípulo de Cristo deve estar disposto a fazer isso, ou seja, seguir o mestre por onde quer que o mestre vá.

Mas ao que nos parece ele não sabia bem no que isto implicava e nem conhecia bem a quem se dispunha seguir. Jesus então lhe disse que “as raposas tem covis, e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a sua cabeça”.

Jesus ensina a esse pretendente a discípulo que O DISCIPULADO IMPLICA EM VIDA SIMPLES E DE RENÚNCIA.

Jesus mostra isso apontando para si mesmo, ou seja, quem quiser segui-lo deve saber que Ele, mesmo tendo criado todas as habitações, não tinha onde reclinar sua cabeça. Até as raposas e as aves, criadas por Ele, tem onde reclinar sua cabeça e repousar, mas Ele mesmo, o Senhor de tudo e de todos, por amor a Deus o Pai e aos Eleitos de seu Pai, abriu mão de toda glória e fez opção pela vida simples e de obediência. (Filipenses 2.5-8)

• Se o teu projeto de vida é ser rico a qualquer preço, você está desqualificado para seguir Jesus. Jesus mesmo disse que não podemos servir a Deus e às riquezas porque haveremos de agradar a um e desagradar ao outro e vice-versa.

• Se você é extremamente apegado aos seus bens e procura multiplicá-los à custa do reino de Deus, você está desqualificado para seguir Jesus.

• Se você pensa em conforto, em morar numa mansão, em poder ter dinheiro para comprar tudo que desejar então você está desqualificado para seguir Jesus.

• Se você é materialista, então está desqualificado para seguir a Jesus.

Jesus mesmo disse que o discípulo não está acima do seu mestre, nem o servo, acima do seu senhor. Então se Ele, Jesus, disse que não tinha onde reclinar sua cabeça, com que autoridade aquele que o serve, que pretende ser seu discípulo pode almejar conforto, segurança, riqueza e patrimônio?

Essas considerações são muito pertinentes para nossos dias nos quais somos sempre tentados a crer que ter é melhor do que ser. Por cometermos esse equívoco, acabamos por nos tornar avaros. Possuir bens e patrimônio não é o problema. O problema se instala quando eles nos possuem.

Essas considerações são pertinentes, pois vivemos em dias nos quais o que mais se prega é o "evangelho da prosperidade", que coloca nos lábios de Deus, promessas que Ele nunca fez. Aqueles que propagam tal evangelho são sustentados com filé mingnon enquanto as ovelhas a quem dizem "servir" (na verdade se servem delas), vivem a experiência da penúria.

O discipulado Cristão exige compromisso com uma vida simples de valorização da espiritualidade em detrimento da materialidade.

Foi Jesus mesmo quem disse que “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus”, (Lucas 18.25). Jesus não está dizendo que um rico não pode ser salvo, o que ele está dizendo é que o rico naturalmente reluta em crer e se tornar seu discípulo. A Parábola do Rico e do mendigo Lázaro retrata essa questão de forma notável. (Lucas 16.19-31)

O verdadeiro discípulo de Cristo, aquele que o segue, sabe que não adianta nada ganhar o mundo e perder sua alma. Ele sabe que a riqueza aqui não tem valor absoluto e que é preferível acumular tesouro no céu.

Tenho visto membros de Igreja sacrificando sua espiritualidade por conta da busca desenfreada de bem materias.

Tenho visto com tristeza, alguns abandonarem a comunhão simplesmente porque na comunidade encontramos pessoas de um aporte cultural, intelectual e financeiro menor do que o deles.

Você quer seguir Jesus? Você que ser seu discípulo? Então lembre-se de que a simplicidade e o desapego aos bens materiais é o preço que você terá que pagar. Mas lembre-se de que você será recompensado.

Devemos sempre ter em mente a história daquele jovem de predicados notáveis que se dispôs seguir Jesus, mas a quem Jesus disse que deveria vender seus bens, dar o valor aos pobres e depois segui-lo. A Escritura nos conta que ele saiu triste porque era muito rico. E você? Estás disposto a seguir Jesus? Então comece aprendendo que isso implica em simplicidade, em renúncia e submissão. (Mateus 19.16-22)


Certa vez, sobre um capelão do exército americano chamado Clark Vandersall Poling, ex-aluno da Yale Divinity School. Em 3 de fevereiro de 1943, em meio à Segunda Gerra Mundial, ele estava a bordo do navio cargueiro U.S.S. Dorchester, que transportava mais de novecentos homens, quando sofreu um ataque de torpedos. Era madrugada e eles estavam no mar gelado cheio de icebergs. Vinte e cinco minutos foram suficientes para afundar o navio e lançar no mar da magrugada fria os quase mil homens. A contagem de mortos foi de 678 homens – mais de dois terços do total. Entre eles havia quatro capelães, incluindo Clark Poling. Relatos dão conta de que os quatro cederam a outros os seus coletes salva-vidas e foram vistos pela última vez de mãos dadas orando pela segurança dos soldados. Tal atitude de bravura e abnegação fez com que os quatro capelães tivessem seus nomes e rostos estampados em selos, em placas comemorativas, em pinturas, em vitrais e até em um monumento em sua homenagem.

Com a mais absoluta certeza esses quatro homens entenderam com nítida perfeição o que significava deixar tudo para seguir a Jesus.

A história de Jim Elliot, e seus quatro amigos missionários que perderam suas vidas tentando evangelizar os Auacas no equador, ilustra essa verdade de maneira exemplar. No diário de Jim Elliot foi registrado: “Não é tolo aquele que dá o que não pode conservar, para ganhar o que não pode perder”.

Se, seguir Jesus, ser seu discípulo é o desejo do teu coração, prepare-se para entregar-lhe tudo, para poder receber, na glória, muito mais do que você pode imaginar porque “nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam”. I Cor. 2.9 (Paráfrase de Isaías 64.4)

Que em 2011 sejamos melhores discípulos de Cristo para podermos fazer mais discípulos para Ele.

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