sexta-feira, 19 de novembro de 2010
O PECADO DO DESÂNIMO.
Esse é um trecho de uma música de composição do Paulão, Paulo Cesar da Silva, da Logos. Ela toca em um ponto de profunda relevância que é o esfriamento, o desânimo que nos acomete, vez por outra.
Ninguém esta isento deste incômodo. O desânimo tem suas causas próprias. Temos que identificar a causa e tratá-la se quizermos viver uma vida cristã com mais, regozijo e ânimo.
Não é preciso fazer muito esforço para concluirmos que o pecado é a principal causa que nos leva a vivermos uma vida cristã desanimada e que, naturalmente, nos fará infrutíferos. Todavia, o pecado se apresenta de vária formas. Pode ser o caso do pecado do secularismo, por exemplo. O secularismo é um sintoma natural do mundanismo e se caracteriza por uma excessiva preocupação com as coisas deste tempo. Esse sintoma é vivenciado quando as pessoas revelam uma atenção exagerada com o tempo presente vivendo como se não houvesse eternidade. O secularismo faz com que tentemos transformar nossa vida aqui como se não houvesse outra vida além dessa. Os epicureus, um ramo da filosofia tão em moda nos dias do cristianismo primitivo, ensinava que devemos comer e beber porque no final das contas o que nos aguarda é a morte, e com a morte tudo finda. Há cristãos que sem se aperceberem vivem com base nessa filosofia.
Outro sintoma do mundanismo que faz com que andemos desanimados, é o materialismo. O indivíduo que apresenta esse sintoma pensa 24 horas por dia em seus próprios negócios, em sua própria vida, em como fazer e agir para aumentar o seu patrimônio ou mesmo mantê-lo. Um cristão assim se esqueceu que temos um Deus providente e passa a viver um enganoso conceito de que os bens materiais poderão lhe garantir segurança. Jesus criticando aqueles que dessa forma pensam disse: “...Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus”. (Lucas 12.20) Não há segurança em nossos bens e patrimônio, por maiores que eles sejam. Ter muita coisa, ser muito rico pode, além de nos iludir no aspecto de nossa segurança, nos fazer pessoas arrogantes, soberbas e jactanciosas.
Se secularismo e materialismo são sintomas do mundanismo que pode nos fazer desanimar, o mesmo acontece com o consumismo. Consumismo é um pecado mais moderninho. Ele nos ilude ao fazer com que pensemos que comprar pode ser fonte de real prazer e alegria. Se Shakespeare vivesse hoje, a sua famosa máxima “Ser ou não ser, eis a questão”, seria outra, ou seja “Ter ou não ter, eis a questão” . Os técnicos na área da economia concluíram que o consumismo foi o grande responsável pela crise econômica neste início do século XXI.
Eu sei que há circunstâncias que podem nos fazer desanimar na vida cristá, mas acredito que o próprio desânimo já é, em si, um erro. Olhe para Jesus. Ele mesmo disse que algumas circunstâncias, que são bem diferentes das citadas nesse artigo como sintomas do mundanismo, existem, mas que não devemos desanimar. Ouçamos o mestre: “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo passais por aflições, mas tendo bom ânimo; eu venci o mundo”. (João 16.25-33)
Não é no mundo que encontramos solução para o desânimo, mas sim em Deus, Assim é para Deus que eu e você devemos correr quando nos sentimos desanimar. O desânimo já é o primeiro passo rumo ao insucesso. Tenha em mente que Noé não desanimou e por isso sobreviveu ao dilúvio.
O ABRAÇO
Eu não havia me dado conta do quanto um abraço faz diferença até o dia em que minha mãe me acordou bem cedinho e contou que meu pai estava com câncer e que, na opinião dos médicos, ele viviria apenas mais seis meses. Parece que tiraram o chão sob meus pés, senti-me um pouco tonto e um nó na garganta explodiu em um choro angustiado com lágrimas em abundância. Foi então que mamãe, ainda uma mulher forte, apesar de suas constantes enfermidades ocasionadas pela diabete veio até mim, e me abraçou. Choramos juntos por um tempo não muito longo, mas que pareceu ser eterno.
Esaú abraçou a Jacó depois que este se prostando em terra por sete vezes, numa notória atitude de humilhação, se aproximou dele. A Bíblia, emocionadamente diz: “Então, Esaú correu-lhe ao encontro e o abraçou; arrojou-se-lhe ao pescoço e o beijou; e choraram” (Gn 33.4). Jacó havia voltado, nutrindo em seu coração o desejo de reconciliação. Ele havia sido convertido. A Bíblia também nos conta que José “...se lançou chorando sobre o seu irmão Benjamim e o abraçou, e Benjamim também o abraçou chorando”. (Gn 45.14) Isso aconteceu quando ele, José, se revelou aos seus irmãos. O abraço de José e Benjamim selou o reencontro, o recomeço, apagou mágoas, ressentimentos. Jacó, já idoso e quase totalmente cego fez com que os filhos de José se aproximassem dele, e então.....os abraçou e beijou (Gn 48.10)
A Bíblia diz que “há tempo de abraçar e tempo de se afastar-se de abraçar” (Ec 3.5). Sim, há momentos em que precisamos nos distanciar, refletir, fazer uma profunda avaliação dos nossos atos e das palavras, para, então, podermos voltar ao abraço que conforta, solidariza, reparte, reconcilia, afaga e protege. Foi isso que o pai daquele filho ingrato fez quando viu que seu filho retornava, maltrapilho, surrado pelas circunstâncias, humilhado pelos resultados funestos de suas loucas decisões. O pai correu e abraçou o filho como que dizendo a todos; Não o apedrejem nem o agridam, ele é meu filho amado que retorna para meu convívio. Eis aí um ato de proteção, de consolo e de recomeço, no abraço do pai. (Lucas 15.11-32)
Um abraço também sela uma despedida. Paulo, reuniu os Presbíteros da Igreja de Éfeso e disse a eles que essa seria a última vez que eles veriam o seu rosto e após algumas palavras de instrução sobre os cuidados com o rebanho e um alerta sobre o perigo dos lobos vorazes e outras palavras de despedida, eles ajoelharam e Paulo orou com eles. Lucas escreveu: “Então, houve grande pranto entre todos, e abraçando afetuosamente a Paulo, o beijavam, entristecidos especialmente pela palavra que ele dissera: que não mais veriam o seu rosto. E acompanharam-no até o navio”. (Atos 20.37,38)
Recentemente li uma história comovente sobre o abraço. Não posso provar que seja verdadeira, mas é verossímel se levarmos em conta as nuances. Essa história é sobre a primeira semana de vida de duas crianças gêmeas. Cada uma estava numa incubadeira e uma delas não tinha perspectiva de sobrevivência. Uma enfermeira foi contra as regras hospitalares e colocou as duas crianças juntas numa única incubadeira. Depois de colocadas juntas, a mais saudável estendeu o braço e o colocou sobre os ombros de sua irmã. Minutos depois o coração da mais frágil teve seus batimentos estabilizados e sua temperatura foi a níveis normais. Esse foi um abraço terapêutico.
É provável que um abraço sincero, singelo e amoroso se torne mais eficiente do que muitos discursos, uma terapia para enfermidades do corpo e da alma. Aproveite para abraçar quem você ama, enquanto isso é possível, enquanto houver possibilidade de retribuição.
ÁRVORES NO POMAR DO SENHOR
Como já disse em outras oportunidades, não tenho experiência com a agricultura, ou seja, nasci na urbanidade apesar de morar no meio do mato. Como gostava demais de bananas nanicas, minha única aventura nessa área foi plantar um pé no fundo do quintal da casa de meus pais, na minha infância. E deu vários cachos e também muita sujeira. Fui um enorme trabalho arrancá-la quando papai resolveu construir dois cômodos naquele lugar.Gosto de observar pomares em minhas viagens. Uma das experiências mais agradáveis que tive foi quando participei de um projeto missionário no norte do Paraná, Siqueira Campos, e fiquei hospedado na fazendo de um dos maiores cafeicultores daquele município. Lembro-me de montar um cavalo e junto com o filho daquele irmão cafeicultor andamos por sua enorme fazenda e conheci um pomar com árvores frutíferas; tangerina, mexerica, laranjas, caquis, mangas, ameixas. Foi muito bom arrancar a fruta do pé e degusta-la ali mesmo. Jamais me esquecerei daquela experiência.
É lindo ver uma árvore no tempo em que ela transforma flores em frutos. Viajando para o município de Fernandópolis, de ônibus, quando fui cantar e pregar no aniversário de uma Igreja ali, cansei minha vista de tantos pés de laranja. Não sei onde li que se juntarmos todos os pés de laranja do estado de São Paulo teremos um território do tamanho da Suécia. Não sei se é verdade, mas confesso que era muito pé e muita laranja.
Fico imaginando o trabalho que não dá manter aquelas árvores frutíferas, livres das pestes e dos insetos que às vezes se mostram tão danosos para elas. Recordo-me que nos pés de ameixas na casa de meu vizinho era comum pintar a base do caule com cal. Nos pés de pêssegos, na casa do Diácono Daniel e sua esposa Zélia, eles os ensacavam para evitar que os pássaros comessem quando estavam amadurecendo.
Plantar árvores frutíferas até que, imagino eu, não deva ser muito difícil, mas mantê-las frutificando exige cuidados. O Salmo 1 fala de árvore que produz fruto no tempo certo e cujas folhas estão sempre verdes simplesmente porque essa árvore está plantada junto a um ribeiro de águas que é imprescindível para o plantio se esperamos colheita. Essa é uma metáfora já que o mesmo salmista identifica essa árvore como aquele homem que ama a lei de Deus e se relaciona com ela com seriedade, ao invés de ouvir o conselho dos ímpios, se deter no caminho dos que amam o pecado e se assentar com os que escarnecem, ou seja, ele evita as pragas.
Jesus afirmou que aquele ramo que não estiver nele, que é a videira verdadeira (e como há videiras falsas por aí hoje), não pode produzir frutos e que ramos assim acabam por secar (tornam-se estéreis por completo). Esse tipo de ramo só serve para fazer a fogueira queimar.
Como árvores frutíferas, no pomar do Senhor, nós devemos frutificar, porque, afinal das contas, de que vale uma árvore frutífera que não frutifica?
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
O CAMINHO DA VERDADE E DA SEGURANÇA.
Eu bem sei a que conclusão os reformadores chegaram quando foram definir as características principais e distintivas da verdadeira Igreja Cristã quando comparada àquela outra Igreja que se auto-denomina cristã. Eles afirmaram que (1) A pregação da Palavra de Deus e do Evangelho; (2) A correta observação dos Sacramentos e, (3) A aplicação da Disciplina Eclesiástica, são essas marcas distintivas. Eles na verdade estavam, ao fazer assim, contrapondo-se à Igreja dos seus dias que havia perdido de longe esses princípios e se distanciado totalmente da Bíblia. Essas são mesmo características próprias da verdadeira Igreja Cristã, mas vejam, vocês que me lêem, em que situação nos encontramos hoje, ou seja, temos um número quase que incontável de Igrejas Locais e denominações que afirmam pregar o evangelho com a Bíblia, só praticam os dois sacramentos, (Batismo e Ceia) e observam uma certa prática de disciplina eclesiástica, mas que sinceramente não podem e nem devem ser consideradas Igrejas Cristãs.
Precisamos, portanto, de uma redifinição quanto a estas características e eu proponho as seguintes, que são quatro.
1) A verdadeira Igreja Cristã crê na Bíblia como único livro de regra, fé e prática. O termo único aqui é de crucial importância. Não admitimos inciclicas e nem tampouco bulas com o mesmo peso inspirado da Bíblia. Não admitimos nenhuma outra fonte de revelação como instruidora ao convertido sobre salvação e santificação. Sola Scriptura, mesmo! E que essa Escritura seja interpretada tendo como ferramenta o método Gramático-Histórico.
2) A verdadeira Igreja Cristã crê em Cristo como único e suficiente salvador. Solo Cristus, nada mais! Qualquer outra proposta, ainda que seja de adição do tipo Cristo e Maria, Cristo e o Sábado, Cristo e Boas Obras, deve ser refutada como lamentável equívoco. Qualquer outro item que anule a graça revelada na pessoa de Cristo Jesus, deve ser rechaçada de forma veemente.
3) A verdadeira Igreja Cristã adora o Deus trino sem nenhum traço de subordinação. Deus pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo são o mesmo Deus em três pessoas e não podemos cometer o pecado de adorarmos mais o Pai, do que o Filho ou o Espírito Santo. A Igreja precisa olhar com equilíbrio para essa questão porque há um só Deus, criador, salvador, mantenedor, provedor e que nos instrumentaliza.E não há uma quarta pessoa na trindade.
4) A verdadeira Igreja Cristã se responsabiliza pelo hoje, mas contempla o amanhã. A verdadeira Igreja de Cristo não é irresponsável com o dia de hoje, com nossa contemporaneidade. Ela se engaja nos problemas de ordem social e política, oferece seus préstimos, sua ética e principalmente se ajoelha em intercessão pelos governos, mas ela sabe que Jesus voltará e busca viver uma vida de vigilância e serviço em prol do Reino de Deus. Ela não se preocupa mais com o material do que o faz com o que é espiritual.
O Supremo Concílio da IPB neste ano de 2010, decidiu que aquelas Igrejas catalogadas como comunidades neo-pentecostais não são verdadeiramente Igrejas Cristãs e sim seitas. E creio que foi uma atitude corajosa. Nisso não há falta de amor e carinho por pessoas, mas um compromisso pela verdade bíblica. Com certeza essas igrejas não consideram com seriedade os quatro itens expostos acima que, em meu entendimento, são marcas distintivas da verdadeira Igreja Cristã. Louvamos a Deus porque a IPB se mantém firme e devemos orar para que continue assim!
A IPBMC deve esboçar essas quatro marcas e zelar em mantê-las como bússula que a conduz pelo caminho da verdade onde há segurança, pois esse é o caminho que Deus determinou para ela
segunda-feira, 5 de julho de 2010
PERDEMOS A COPA DO MUNDO. E DAÍ?
O Brasil foi eliminado pela Holanda na Copa do Mundo de Futebol lá na África do Sul, belo país pelo que temos visto nas imagens e um povo bastante alegre, às vezes, alegres demais com aquelas vuvuzelas que certamente afetariam meu labirinto. Mas e daí?
Já estamos há 08 anos sem vencer uma copa do mundo. E daí? Isso também não importa porque já ficamos 24 anos sem sermos campeões. Até que em 1994 vencemos às duras penas lá nos USA nos pênaltis a nossa adversária, Itália. Depois fizemos a fatídica final contra a França em 1998, e a vitoriosa final na Ásia contra a Alemanha em 2002. Voltamos a cair em 2006 frente a mesma França que tem sido um carrasco do Brasil em Copas do Mundo e agora foi a vez da Holanda que já havia nos desclassificado em 1974 na Copa da Alemanha. Voltamos mais cedo para casa. Perdemos da Holanda. E daí?
Eu sou muito passional e fico muito agitado em partidas de futebol. Por isso resolvi lavar meu carro na hora do jogo. Simplesmente levei o carro para o quintal atrás da minha casa, me preparei e, durante os 90 minutos da partida fiquei ali lavando meu carro. Soube dos gols pelas manifestações. No final do jogo, com a derrota já sacramentada, me saí um morador de um prédio vizinho, na sacada de seu apartamento e grita a plenos pulmões. “Vamos trabalhar cambada. Vamos voltar pro trabalho”. Ri para valer, e muitos fizeram o mesmo pelo que pude ouvir. É isso mesmo. O Brasil perdeu, foi desclassificado, mas e daí? O mundo não acabou, oras bolas. O Brasil perdeu, mas e daí?
Não tenho me dado ao “luxo” de ouvir os comentaristas de futebol a respeito dessa desclassificação. Parece que o disco quebrou. É sempre o mesma lengalenga. Uns culpam o Dunga, outros alegam que havia jogadores que não tinham qualificações para estar no grupo. Os mais duros, como o Milton Neves, desandaram a falar do Felipe Melo. E assim por diante. Afinal de contas é comum numa hora como essa, procurarmos os culpados. Isso é natural, mas é preciso que haja equilíbrio. Não podemos evitar a avaliação porque ela, sendo feita com sobriedade e serenidade, pode nos ajudar a evitar cometermos os mesmos erros, mas é preciso que haja coerência e ponderação, o que me parece não é próprio de grande parte da mídia do futebol.
Há comentaristas e locutores que são mais torcedores do que qualquer outra coisa. O Galvão Bueno, por exemplo, com todo o respeito e admiração que lhe tenho, torce mais do que narra uma partida. E isso vai moldar, de certa maneira, o pensamento do brasileiro nesse campo esportivo. O Brasil foi desclassificado, mas e daí?
Futebol não tem lógica e cá entre nós se a lógica valesse, a Holanda tinha mesmo que vencer porque olhando do ponto de vista tático, ela é uma seleção mais bem assentada táticamente. Tem melhor equilíbrio em todos os seus setores. E devemos lembrar que em 1982 éramos mesmo muito melhores que a criticada Itália e perdemos por três gols a dois. Aquela lá doeu. Futebol não tem lógica. E o Brasil voltou para casa eliminado, mas e daí?
Futebol é só esporte e esporte é saúde e cultura. Talvez tenha doído mais para alguns do que para outros porque esse esporte que deveria ser entendido como cultura, saúde, evento para o congraçamento dos povos, virou uma grande oportunidade de se fazer muito dinheiro. A FIFA é uma das instituições mais ricas do mundo, mas e daí? No que é que isso consiste? Que benefícios isso tem trazido para aquelas nações onde há enormes bolsões de pobreza? Que benefícios isso tem trazido para aquelas nações onde não há educação de boa qualidade, a saúde está doente, a segurança está refém do crime organizado e a violência tem assumido uma multiformidade gigantesca? Isso lembra a você algum país em particular? Creio que sim e por isso eu repito a questão: O Brasil perdeu a Copa do Mundo, mas e daí?
Devo admitir que o bem humorado grito do meu vizinho tem tudo a ver: “Vamos trabalhar cambada. Vamos voltar pro trabalho”. Isso mesmo, vamos trabalhar! Vamos voltar para o nosso mundo onde temos que optar entre Marina, Dilma e José Serra.
Voltemos para o país que já se tornou um cassino a céu aberto, onde a hipocrisia é latente em todos os níveis, onde a religiosidade nos faz ter que encarar num sábado uma Marcha Para Jesus que é mais uma vitrine para o lustro do ego de alguns apóstolos do que Marcha para Cristo mesmo, e em outro sábado temos que engolir a Parada Gay num ato de afronta sem precedentes.
Voltemos para nosso país onde o aposentado é tratado como escória, coisa obsoleta, com exceção dos políticos aposentados.
Voltemos para o país onde a justiça é morosa e bastante condescendente.
Voltemos para o Brasil onde um jogador de futebol, sem nível de intelectualidade desenvolvido e que pouca contribuição traz à cultura do país, vale mais do que o professor, o médico e outros profissionais que se matam para sobreviver, o que é um paradoxo.
Vamos voltar para a realidade porque a Holanda, por exemplo, que nos desclassificou, nunca foi campeã mundial de futebol, e é um país com problemas geográficos e topográficos enormes se comparados ao Brasil, continua sendo um país rico de um povo extremamente educado. Vamos voltar para o trabalho porque perder para a Holanda não foi uma desonra.
Eu pergunto: perdemos a Copa do Mundo, mas e daí? Eu não vou chorar por isso porque afinal de contas o Felipe Melo e o Dunga que estão sendo crucificados, em meu entendimento errônea e cruelmente, vão voltar para suas vidas e terão que conviver com essa experiência que os marcou muito mais do que marcou a você e a mim. Mas eles estão muito bem do ponto de vista social e econômico se comparado à maioria dos brasileiros.
Por outro lado, muitos dos que se angustiaram e até choraram diante de um aparelho 14’ dentro do seu humilde casebre, tiveram que pegar o seu busum e voltar para o trampo porque afinal de contas é essa gente que movimenta esse país e é essa gente que, mesmo no anonimato, faz a grandeza do Brasil.
Vamos voltar para o trabalho cambada, sou assim para mim:
Vamos cair na real, pessoal. Vamos descer dessa aeronave chamada ilusão e pisar no chão da realidade.
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