RECINTOS DO BLOG

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O ABRAÇO

Eu não havia me dado conta do quanto um abraço faz diferença até o dia em que minha mãe me acordou bem cedinho e contou que meu pai estava com câncer e que, na opinião dos médicos, ele viviria apenas mais seis meses. Parece que tiraram o chão sob meus pés, senti-me um pouco tonto e um nó na garganta explodiu em um choro angustiado com lágrimas em abundância. Foi então que mamãe, ainda uma mulher forte, apesar de suas constantes enfermidades ocasionadas pela diabete veio até mim, e me abraçou. Choramos juntos por um tempo não muito longo, mas que pareceu ser eterno.

Esaú abraçou a Jacó depois que este se prostando em terra por sete vezes, numa notória atitude de humilhação, se aproximou dele. A Bíblia, emocionadamente diz: “Então, Esaú correu-lhe ao encontro e o abraçou; arrojou-se-lhe ao pescoço e o beijou; e choraram” (Gn 33.4). Jacó havia voltado, nutrindo em seu coração o desejo de reconciliação. Ele havia sido convertido. A Bíblia também nos conta que José “...se lançou chorando sobre o seu irmão Benjamim e o abraçou, e Benjamim também o abraçou chorando”. (Gn 45.14) Isso aconteceu quando ele, José, se revelou aos seus irmãos. O abraço de José e Benjamim selou o reencontro, o recomeço, apagou mágoas, ressentimentos. Jacó, já idoso e quase totalmente cego fez com que os filhos de José se aproximassem dele, e então.....os abraçou e beijou (Gn 48.10)

A Bíblia diz que “há tempo de abraçar e tempo de se afastar-se de abraçar” (Ec 3.5). Sim, há momentos em que precisamos nos distanciar, refletir, fazer uma profunda avaliação dos nossos atos e das palavras, para, então, podermos voltar ao abraço que conforta, solidariza, reparte, reconcilia, afaga e protege. Foi isso que o pai daquele filho ingrato fez quando viu que seu filho retornava, maltrapilho, surrado pelas circunstâncias, humilhado pelos resultados funestos de suas loucas decisões. O pai correu e abraçou o filho como que dizendo a todos; Não o apedrejem nem o agridam, ele é meu filho amado que retorna para meu convívio. Eis aí um ato de proteção, de consolo e de recomeço, no abraço do pai. (Lucas 15.11-32)

Um abraço também sela uma despedida. Paulo, reuniu os Presbíteros da Igreja de Éfeso e disse a eles que essa seria a última vez que eles veriam o seu rosto e após algumas palavras de instrução sobre os cuidados com o rebanho e um alerta sobre o perigo dos lobos vorazes e outras palavras de despedida, eles ajoelharam e Paulo orou com eles. Lucas escreveu: “Então, houve grande pranto entre todos, e abraçando afetuosamente a Paulo, o beijavam, entristecidos especialmente pela palavra que ele dissera: que não mais veriam o seu rosto. E acompanharam-no até o navio”. (Atos 20.37,38)

Recentemente li uma história comovente sobre o abraço. Não posso provar que seja verdadeira, mas é verossímel se levarmos em conta as nuances. Essa história é sobre a primeira semana de vida de duas crianças gêmeas. Cada uma estava numa incubadeira e uma delas não tinha perspectiva de sobrevivência. Uma enfermeira foi contra as regras hospitalares e colocou as duas crianças juntas numa única incubadeira. Depois de colocadas juntas, a mais saudável estendeu o braço e o colocou sobre os ombros de sua irmã. Minutos depois o coração da mais frágil teve seus batimentos estabilizados e sua temperatura foi a níveis normais. Esse foi um abraço terapêutico.

É provável que um abraço sincero, singelo e amoroso se torne mais eficiente do que muitos discursos, uma terapia para enfermidades do corpo e da alma. Aproveite para abraçar quem você ama, enquanto isso é possível, enquanto houver possibilidade de retribuição.

ÁRVORES NO POMAR DO SENHOR

Como já disse em outras oportunidades, não tenho experiência com a agricultura, ou seja, nasci na urbanidade apesar de morar no meio do mato. Como gostava demais de bananas nanicas, minha única aventura nessa área foi plantar um pé no fundo do quintal da casa de meus pais, na minha infância. E deu vários cachos e também muita sujeira. Fui um enorme trabalho arrancá-la quando papai resolveu construir dois cômodos naquele lugar.

Gosto de observar pomares em minhas viagens. Uma das experiências mais agradáveis que tive foi quando participei de um projeto missionário no norte do Paraná, Siqueira Campos, e fiquei hospedado na fazendo de um dos maiores cafeicultores daquele município. Lembro-me de montar um cavalo e junto com o filho daquele irmão cafeicultor andamos por sua enorme fazenda e conheci um pomar com árvores frutíferas; tangerina, mexerica, laranjas, caquis, mangas, ameixas. Foi muito bom arrancar a fruta do pé e degusta-la ali mesmo. Jamais me esquecerei daquela experiência.

É lindo ver uma árvore no tempo em que ela transforma flores em frutos. Viajando para o município de Fernandópolis, de ônibus, quando fui cantar e pregar no aniversário de uma Igreja ali, cansei minha vista de tantos pés de laranja. Não sei onde li que se juntarmos todos os pés de laranja do estado de São Paulo teremos um território do tamanho da Suécia. Não sei se é verdade, mas confesso que era muito pé e muita laranja.

Fico imaginando o trabalho que não dá manter aquelas árvores frutíferas, livres das pestes e dos insetos que às vezes se mostram tão danosos para elas. Recordo-me que nos pés de ameixas na casa de meu vizinho era comum pintar a base do caule com cal. Nos pés de pêssegos, na casa do Diácono Daniel e sua esposa Zélia, eles os ensacavam para evitar que os pássaros comessem quando estavam amadurecendo.

Plantar árvores frutíferas até que, imagino eu, não deva ser muito difícil, mas mantê-las frutificando exige cuidados. O Salmo 1 fala de árvore que produz fruto no tempo certo e cujas folhas estão sempre verdes simplesmente porque essa árvore está plantada junto a um ribeiro de águas que é imprescindível para o plantio se esperamos colheita. Essa é uma metáfora já que o mesmo salmista identifica essa árvore como aquele homem que ama a lei de Deus e se relaciona com ela com seriedade, ao invés de ouvir o conselho dos ímpios, se deter no caminho dos que amam o pecado e se assentar com os que escarnecem, ou seja, ele evita as pragas.

Jesus afirmou que aquele ramo que não estiver nele, que é a videira verdadeira (e como há videiras falsas por aí hoje), não pode produzir frutos e que ramos assim acabam por secar (tornam-se estéreis por completo). Esse tipo de ramo só serve para fazer a fogueira queimar.

Como árvores frutíferas, no pomar do Senhor, nós devemos frutificar, porque, afinal das contas, de que vale uma árvore frutífera que não frutifica?

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

O CAMINHO DA VERDADE E DA SEGURANÇA.

Eu bem sei a que conclusão os reformadores chegaram quando foram definir as características principais e distintivas da verdadeira Igreja Cristã quando comparada àquela outra Igreja que se auto-denomina cristã. Eles afirmaram que (1) A pregação da Palavra de Deus e do Evangelho; (2) A correta observação dos Sacramentos e, (3) A aplicação da Disciplina Eclesiástica, são essas marcas distintivas. Eles na verdade estavam, ao fazer assim, contrapondo-se à Igreja dos seus dias que havia perdido de longe esses princípios e se distanciado totalmente da Bíblia.
Essas são mesmo características próprias da verdadeira Igreja Cristã, mas vejam, vocês que me lêem, em que situação nos encontramos hoje, ou seja, temos um número quase que incontável de Igrejas Locais e denominações que afirmam pregar o evangelho com a Bíblia, só praticam os dois sacramentos, (Batismo e Ceia) e observam uma certa prática de disciplina eclesiástica, mas que sinceramente não podem e nem devem ser consideradas Igrejas Cristãs.
Precisamos, portanto, de uma redifinição quanto a estas características e eu proponho as seguintes, que são quatro.
1) A verdadeira Igreja Cristã crê na Bíblia como único livro de regra, fé e prática. O termo único aqui é de crucial importância. Não admitimos inciclicas e nem tampouco bulas com o mesmo peso inspirado da Bíblia. Não admitimos nenhuma outra fonte de revelação como instruidora ao convertido sobre salvação e santificação. Sola Scriptura, mesmo! E que essa Escritura seja interpretada tendo como ferramenta o método Gramático-Histórico.
2) A verdadeira Igreja Cristã crê em Cristo como único e suficiente salvador. Solo Cristus, nada mais! Qualquer outra proposta, ainda que seja de adição do tipo Cristo e Maria, Cristo e o Sábado, Cristo e Boas Obras, deve ser refutada como lamentável equívoco. Qualquer outro item que anule a graça revelada na pessoa de Cristo Jesus, deve ser rechaçada de forma veemente.
3) A verdadeira Igreja Cristã adora o Deus trino sem nenhum traço de subordinação. Deus pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo são o mesmo Deus em três pessoas e não podemos cometer o pecado de adorarmos mais o Pai, do que o Filho ou o Espírito Santo. A Igreja precisa olhar com equilíbrio para essa questão porque há um só Deus, criador, salvador, mantenedor, provedor e que nos instrumentaliza.E não há uma quarta pessoa na trindade.
4) A verdadeira Igreja Cristã se responsabiliza pelo hoje, mas contempla o amanhã. A verdadeira Igreja de Cristo não é irresponsável com o dia de hoje, com nossa contemporaneidade. Ela se engaja nos problemas de ordem social e política, oferece seus préstimos, sua ética e principalmente se ajoelha em intercessão pelos governos, mas ela sabe que Jesus voltará e busca viver uma vida de vigilância e serviço em prol do Reino de Deus. Ela não se preocupa mais com o material do que o faz com o que é espiritual.
O Supremo Concílio da IPB neste ano de 2010, decidiu que aquelas Igrejas catalogadas como comunidades neo-pentecostais não são verdadeiramente Igrejas Cristãs e sim seitas. E creio que foi uma atitude corajosa. Nisso não há falta de amor e carinho por pessoas, mas um compromisso pela verdade bíblica. Com certeza essas igrejas não consideram com seriedade os quatro itens expostos acima que, em meu entendimento, são marcas distintivas da verdadeira Igreja Cristã. Louvamos a Deus porque a IPB se mantém firme e devemos orar para que continue assim!
A IPBMC deve esboçar essas quatro marcas e zelar em mantê-las como bússula que a conduz pelo caminho da verdade onde há segurança, pois esse é o caminho que Deus determinou para ela

segunda-feira, 5 de julho de 2010

PERDEMOS A COPA DO MUNDO. E DAÍ?

(Considerações - e até certo desabafo - de um brasileiro que ama o futebol, mas ama mais o Brasil)

O Brasil foi eliminado pela Holanda na Copa do Mundo de Futebol lá na África do Sul, belo país pelo que temos visto nas imagens e um povo bastante alegre, às vezes, alegres demais com aquelas vuvuzelas que certamente afetariam meu labirinto. Mas e daí?

Já estamos há 08 anos sem vencer uma copa do mundo. E daí? Isso também não importa porque já ficamos 24 anos sem sermos campeões. Até que em 1994 vencemos às duras penas lá nos USA nos pênaltis a nossa adversária, Itália. Depois fizemos a fatídica final contra a França em 1998, e a vitoriosa final na Ásia contra a Alemanha em 2002. Voltamos a cair em 2006 frente a mesma França que tem sido um carrasco do Brasil em Copas do Mundo e agora foi a vez da Holanda que já havia nos desclassificado em 1974 na Copa da Alemanha. Voltamos mais cedo para casa. Perdemos da Holanda. E daí?

Eu sou muito passional e fico muito agitado em partidas de futebol. Por isso resolvi lavar meu carro na hora do jogo. Simplesmente levei o carro para o quintal atrás da minha casa, me preparei e, durante os 90 minutos da partida fiquei ali lavando meu carro. Soube dos gols pelas manifestações. No final do jogo, com a derrota já sacramentada, me saí um morador de um prédio vizinho, na sacada de seu apartamento e grita a plenos pulmões. “Vamos trabalhar cambada. Vamos voltar pro trabalho”. Ri para valer, e muitos fizeram o mesmo pelo que pude ouvir. É isso mesmo. O Brasil perdeu, foi desclassificado, mas e daí? O mundo não acabou, oras bolas. O Brasil perdeu, mas e daí?

Não tenho me dado ao “luxo” de ouvir os comentaristas de futebol a respeito dessa desclassificação. Parece que o disco quebrou. É sempre o mesma lengalenga. Uns culpam o Dunga, outros alegam que havia jogadores que não tinham qualificações para estar no grupo. Os mais duros, como o Milton Neves, desandaram a falar do Felipe Melo. E assim por diante. Afinal de contas é comum numa hora como essa, procurarmos os culpados. Isso é natural, mas é preciso que haja equilíbrio. Não podemos evitar a avaliação porque ela, sendo feita com sobriedade e serenidade, pode nos ajudar a evitar cometermos os mesmos erros, mas é preciso que haja coerência e ponderação, o que me parece não é próprio de grande parte da mídia do futebol.

Há comentaristas e locutores que são mais torcedores do que qualquer outra coisa. O Galvão Bueno, por exemplo, com todo o respeito e admiração que lhe tenho, torce mais do que narra uma partida. E isso vai moldar, de certa maneira, o pensamento do brasileiro nesse campo esportivo. O Brasil foi desclassificado, mas e daí?

Futebol não tem lógica e cá entre nós se a lógica valesse, a Holanda tinha mesmo que vencer porque olhando do ponto de vista tático, ela é uma seleção mais bem assentada táticamente. Tem melhor equilíbrio em todos os seus setores. E devemos lembrar que em 1982 éramos mesmo muito melhores que a criticada Itália e perdemos por três gols a dois. Aquela lá doeu. Futebol não tem lógica. E o Brasil voltou para casa eliminado, mas e daí?

Futebol é só esporte e esporte é saúde e cultura. Talvez tenha doído mais para alguns do que para outros porque esse esporte que deveria ser entendido como cultura, saúde, evento para o congraçamento dos povos, virou uma grande oportunidade de se fazer muito dinheiro. A FIFA é uma das instituições mais ricas do mundo, mas e daí? No que é que isso consiste? Que benefícios isso tem trazido para aquelas nações onde há enormes bolsões de pobreza? Que benefícios isso tem trazido para aquelas nações onde não há educação de boa qualidade, a saúde está doente, a segurança está refém do crime organizado e a violência tem assumido uma multiformidade gigantesca? Isso lembra a você algum país em particular? Creio que sim e por isso eu repito a questão: O Brasil perdeu a Copa do Mundo, mas e daí?

Devo admitir que o bem humorado grito do meu vizinho tem tudo a ver: “Vamos trabalhar cambada. Vamos voltar pro trabalho”. Isso mesmo, vamos trabalhar! Vamos voltar para o nosso mundo onde temos que optar entre Marina, Dilma e José Serra.

Voltemos para o país que já se tornou um cassino a céu aberto, onde a hipocrisia é latente em todos os níveis, onde a religiosidade nos faz ter que encarar num sábado uma Marcha Para Jesus que é mais uma vitrine para o lustro do ego de alguns apóstolos do que Marcha para Cristo mesmo, e em outro sábado temos que engolir a Parada Gay num ato de afronta sem precedentes.

Voltemos para nosso país onde o aposentado é tratado como escória, coisa obsoleta, com exceção dos políticos aposentados.

Voltemos para o país onde a justiça é morosa e bastante condescendente.

Voltemos para o Brasil onde um jogador de futebol, sem nível de intelectualidade desenvolvido e que pouca contribuição traz à cultura do país, vale mais do que o professor, o médico e outros profissionais que se matam para sobreviver, o que é um paradoxo.

Vamos voltar para a realidade porque a Holanda, por exemplo, que nos desclassificou, nunca foi campeã mundial de futebol, e é um país com problemas geográficos e topográficos enormes se comparados ao Brasil, continua sendo um país rico de um povo extremamente educado. Vamos voltar para o trabalho porque perder para a Holanda não foi uma desonra.

Eu pergunto: perdemos a Copa do Mundo, mas e daí? Eu não vou chorar por isso porque afinal de contas o Felipe Melo e o Dunga que estão sendo crucificados, em meu entendimento errônea e cruelmente, vão voltar para suas vidas e terão que conviver com essa experiência que os marcou muito mais do que marcou a você e a mim. Mas eles estão muito bem do ponto de vista social e econômico se comparado à maioria dos brasileiros.

Por outro lado, muitos dos que se angustiaram e até choraram diante de um aparelho 14’ dentro do seu humilde casebre, tiveram que pegar o seu busum e voltar para o trampo porque afinal de contas é essa gente que movimenta esse país e é essa gente que, mesmo no anonimato, faz a grandeza do Brasil.

Vamos voltar para o trabalho cambada, sou assim para mim:

Vamos cair na real, pessoal. Vamos descer dessa aeronave chamada ilusão e pisar no chão da realidade.



segunda-feira, 7 de junho de 2010

TRÊS VIRTUDES PARA A VIDA CRISTÃ (ROMANOS 1.1-17)

É óbvio que a vida cristã deve ser caracterizada por muito mais do que três virtudes. Se nos mirarmos na pessoa de Jesus nosso redentor, e nos propusermos imitá-lo e sermos, assim, identificados como verdadeiros cristãos, devemos então esboçar muitas virtudes em número que excede as três que pretendemos abordar nesse texto.

Entretanto é importante que frisemos que essas Três Virtudes Para a Vida Cristã nós a percebemos na leitura do texto de Romanos 1.1-17. Trata-se da mais longa introdução de todas as cartas do apóstolo Paulo. A Carta de Paulo aos Romanos é considerada O Evangelho Segundo o Apóstolo Paulo.

Nesta introdução em que encontramos a Saudação, a Referência à Igreja de Roma e seu enunciado extraordinária sobre o Evangelho aprendemos três virtudes com o apóstolo dos gentios. Essas virtudes são:

1. CONCEITO EQUILIBRADO E MODERADO A RESPEITO DE SI MESMO. (Rm. 12.3)

Se há algo que aprendemos com Paulo nessa introdução é que quando um homem sabe quem ele é, está apto para desenvolver e desempenhar seu papel. Para dizer de outra maneira: Quando alguém sabe quem é, está apto para cumprir sua missão.

Nesta sua saudação à Igreja de Roma, Paulo identifica-se por seu nome latino. Aliás em nenhuma das suas cartas Paulo se identifica por seu nome com que fora batizado, ou seja, Saulo. Ora, quais seriam as razões de tal postura e preferência pelo nome gentílico. Há algumas razões possíveis, pelo menos três.

a) Porque Paulo significa "pequeno" enquando Saulo tinha um significado mais opulento, ou seja, "aquele que é implorado". Escolher o primeiro em lugar do segundo demonstrava de forma inequívoca o quão humilde Deus tornara esse homem.
b) Porque o nome Paulo era o ícone da transformação que Cristo havia promovido nesse judeu fariseu que era perseguidor da Igreja e agora se tornara um dos mais perseguidos por causa do evangelho que ele tanto perseguiu e o fez de forma tão feroz (Vide Atos 8.1-3)
c) Poque Paulo era um nome gentílico e usando esse termo ele teria mais facilidade para ser inserido no mundo gentílico. Lembremo-nos de que Deus o convertera e lhe confiara a tarefa de pregar aos gentios com primazia. (Atos 9.15-16)

Além disso Paulo se considera, "servo de Jesus Cristo", "chamado apóstolo" e "separado para o evangelho de Deus".

Paulo sabia quem era e por isso estava apto a cumprir a missão que Deus lhe confiara.

A segunda virtude que aprendemos com Paulo é:

 2. CONSIDERAÇÃO E APREÇO PELA IGREJA DE CRISTO. (Rm 1.8-15; Rm 16)

Esta carta é enviada a uma Igreja que Paulo não conhecia. Diferentemente das outras cartas como aos Coríntios, Filipenses, Gálatas (região da Galácia), Tessalônica, Colossenses, Éfeso. Aqui Paulo se dirige a uma Igreja, na sua grande maioria, senão totalidade, de gentios, que ele não conhecia. Fica evidenciado pela leitura do capítulo 16 que ele conhecia, certamente, alguns de seus membros, mas não todos e nem os conhecia como comunidade.

Seu desejo era ter oportunidade de estar com eles porque no mundo tudo já se sabia que havia uma Igreja Cristã na capital do Império e que essa Igreja esboçava uma fé viva e contagiante. Mas seu desejo de estar com eles nunca se concretizou porque Deus, sabia Paulo, não o havia permitido.

Ao escrever essa carta Paulo, como faz em outras cartas, é gentil, atencioso, cordial e lisonjeiro sem ser piegas ou bajulador. Seu interesse são os irmãos em Cristo, seu desejo é estar com eles e abençoá-los com seus dons. Sua vontade é fazer em Roma aquilo que se tornara a tarefa de sua vida, ou seja, pregar o evangelho

Para Paulo a Igreja em Roma era uma legítima Igreja de Cristo e ele demonstra, por ela, apreço, e consideração.

Essa é outra virtude que o cristão deve esboçar, ou seja, consideração e apreço pela Igreja de Cristo. Deus originou duas instituições para abençoar o mundo; a Família e a Igreja. Paulo sempre as teve em alta conta. Um dia ele fora perseguidor da Igreja agora estava pronto a dar sua vida por ela.

Não é surpreendente que é possível que Paulo tenha sido martirizado nessa cidade? Não é surpreendente que existia um Igreja que ele amava sem conhecer e onde gostaria de pregar o evangelho?

Assim, pregar o evangelho, também em Roma, era o anseio do seu coração. Paulo não sabia, (Deus sim), que ele iria para Roma não como homem livre, mas como prisioneiro por causa do evangelho que pregava e do qual ele se orgulhava e no qual tinha alegria.

Na leitura desses dezessete versículos da introdução da Carta aos romanos, Paulo usa o termo evangelho por cinco vezes. Nessa leitura podemos perceber também a compreensão que Paulo tinha a respeito do evangelho de Deus, como ele se refere no primeiro versículo. Encontramos aqui, com Paulo, uma outra virtude para o cristão.

3. COMPREENSÃO E CONCEITO PLENOS SOBRE O EVANGELHO. (Rm. 1.2-4; 16-17)

Para Paulo o evangelho era:

a) Evangelho de Deus. Não se tratava de mais uma filosofia de vida produzida e criada pela imaginação humana, mas sim algo que Deus originou.
b) Evangelho preconizado pelos profetas. Deus providenciou os recursos para que esse evangelho fosse prometido em profusão através dos profetas.
c) Evangelho que tinha registro escriturístico. O evangelho que Deus criou e que prometeu por meio dos seus profetas, estava registrado nas Escrituras Sagradas.
d) Esse evangelho tinha como conteúdo a pessoa de Jesus Cristo o filho de Deus que:
      d.1.) Quanto a carne, nasceu da descendência de Davi (Encarnação do Verbo)
      d.2) Quanto a sua divindade, ressuscitou segundo o poder do Espírito de Santidade (ressurreição)
e) Evangelho poderoso para salvar:
      e.1.) Quem quer que seja. Não há coração tão duro que Deus não possa quebrar. Paulo eraum exemplo disso.
      e.2.) Porque Deus só pode salvar por meio do evangelho já que nesse evangelho Deus trata com justiça a questão do pecado. Fora do evangelho Deus não pode salvar quem quer que seja. Foi Ele mesmo quem instituiu esse meio para sanar a questão do problema e é por meio do evangelho que Deus aproxima o pecador incoverso de Si.

Três virtudes que nós os cristãos devemos esboçar, ou seja, UM CONCEITO EQUILIBRADO A RESPEITO DE NÓS MESMOS (Rom. 12.3), CONSIDERAÇÃO E APREÇO PELA IGREJA DE CRISTO e COMPREENSÃO E CONCEITO PLENOS SOBRE O EVANGELHO.

Como já dissemos no início desses nossos escritos aqui, essas virtudes não são as únicas que devem ser características nos cristãos, mas nós as vemos em Paulo nessa porção intrudutória da carta que escreve à Igreja em Roma. Seria bom que as possuíssemos e que elas nos possuíssem.

Deus nos abençoe.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

CEIA DO SENHOR

DOMINGO
06.06.2010 - 19h00 
Culto com Celebração da Ceia do Senhor.
TODOS OS QUE SE ASSENTAM EM TORNO DA MESA DO SENHOR SÃO IGUAIS.(E.BRAGG)

A Ceia do Senhor é um dos dois Sacramentos da Igreja Cristã Reformada. O outro Sacramento é o Batismo. "Sacramento é um sinal visível de uma graça invisível".



A boa Teologia Reformada entende que a Ceia e o Sacramento da Nova Aliança em substituição à Páscoa, assim como o Batismo é o legítimo substituto da Circuncisão.

Quando comemos o pão e bebemos o vinho, sob a perspectiva preconizada pelo apóstolo Paulo, devemos fazê-lo com o devido exame (anamnese), para que evitemos nos tornar motivo de escárneo e constrangimento para o Corpo de Cristo que é a Igreja.

O Catecismo Maior de Westminster preceitua como resposta à pergunta 171 (Como os que recebem o Sacramento da Ceia do Senhor devem preparar-se para esse ato?): "Os que recebem o sacramento devem preparar-se para esse ato, examinando-se a si mesmo, se estão em Cristo, a respeito dos seus pecados e necessidades da verdade e da medida do seu conhecimento, da fé, do arrependimento, do amor para com Deus e para com os irmãos; da caridade para com todos os homens, perdoando aos que lhes têm feito mal; dos seus desejos de ter Cristo e da sua nova obediência, renovando o exercício dessas graças pela meditação séria e pela oração fervorosa."

Auto-exame, oração, jejum, louvor, são atitudes mais do que bem vindas como preparo para participar desse momento de crucial importância para o cristão, falando individualmente, e para a Igreja se pensarmos em termos de comunidade.

Deixar de participar da Ceia do Senhor é um grave equívoco que passa pela falta de compreensão exata a respeito do que consiste esse momento na vida da Igreja, bem como é demonstração de total descaso com respeito à própria saúde espiritual.

Devemos, (é nosso dever) participar da Ceia e devemos fazê-lo com o necessário auto-exame. "Uma pessoa que duvida que esteja em Cristo ou de que esteja convenientemente preparada para participar da Ceia do Senhor pode ter um verdadeiro interesse em Cristo, embora não tenha ainda a certeza disso; mas aos olhos de Deus, o tem, se está devidamente tocada pelo receio da falta desse interesse e sem fingimento deseja ser achada em Cristo e apartar-se da iniquidade. Nesse caso, desde que as promessas são feitas e este sacramento é ordenado para o alívio até dos cristãos fracos e que estão em dúvida, deve lamentar a sua incredulidade e esforçar-se para ter as suas dúvidas dissipadas; assim fazendo, pode e deve ir à Ceia do Senhor para ficar mais fortalecida". (Catecismo Maior de Westminster, em resposta à pergunta 172).

Certa vez um ministro deixou sobre a mesa todos os elementos da Ceia do Senhor já que havia duas famílias na Igreja que tinha tido um sério problema de relacionamento. Afirmou esse ministro que o pão e o vinho ficariam ali, sem serem distribuidos à Igreja, até aprodrecerem, e que só ministraria a Ceia à Igreja quando o problema aludido fosse resolvido.

Pela sábia providência Divina, surgiu um fato que obrigou a Junta Diaconal a tirar dali aqueles elementos da Ceia. Creio que a atitude do referido e estimado colega de ministério foi radical. Entendo que a Ceia deve ser sempre ministrada com as devidas considerações que o apóstolo dos gentios prescreveu, pois a observância da mesma deve, dentre outras verdades, provoca o auto-exame e a devida contabilidade de nossa vida e atos, buscando saber se estamos, ou não, em condições de participar dela. E quem dela tomar, indignamente, irá receber de Deus a justa repreensão e disciplina.

Mais uma vez nos reunimos em torno da mesa do Senhor. Devemos fazê-lo com nossos corações cheios de ternura e gratidão. Se a Ceia também nos faz recordar da morte vicária de Cristo, ela também evoca em nossa memória a verdade de relevância incomparável da ressurreião de Cristo. Ele morreu em nosso lugar e ressuscitou para que possamos andar com nossos corãções cheios de esperança de que em sua volta, nós ressuscitaremos, também, e com Ele habitaremos na nova terra por Deus totalmente restaurada.

Creio, sinceramente, que é exatamente no momento em que participamos da Ceia do Senhor, com os corações verdadeiramente compungidos e movidos pelo legítimo amor que sentimos a doce verdade nas palavras de Jesus quando disse: "E eis que estou convosco, todos os dias até a consumação do século".

Até domingo, então, diante da Mesa da Comunhão.